[Sina]
[Leia ouvindo "Eleanor Rigby" - The Beatles]
["Anjos feios falaram comigo. A culpa, ouvi dizer, era minha. Eles fofocavam como bruxas verdes na minha cabeça, deixando a desgraça vazar como uma torneira quebrada; como se a desgraça tivesse inundado minha barriga e enchido seu berço, uma dívida antiga que eu devo assumir." - Anne Sexton]
"É a sua sina", as bruxas falaram palavras sussurradas ao vento como um prognóstico. Uma sentença lançada da qual não se podia correr. Eu não sabia na época, mas a partir dali pensamentos feios me perseguiriam até eu me lançar do abismo. No fundo, nunca se sabia ao certo o que encontrar: ora pétalas de rosas, ora espinhos cortantes. Às vezes, mil cacos de vidro. De vez em quando, um mar profundo, denso e gelado.
"A descida", as bruxas diziam, "precisa ser solitária". Sem braços para me alcançar, sem beijos para me beijar ou colo para o qual voltar. A vida precisava ser solitária. Porque essa era a sina. Assim estava escrito.
Nos dias em que os pensamentos silenciavam, eu gostava de correr. Cursos para fazer, músicas para ouvir, sonhos para sonhar. Eu desfrutava de tudo como uma louca-poeta-viciada. O medo de não dar tempo, o medo de não poder, o medo de sumir. E nunca ninguém compreendeu a pressa. Essa era uma parte da sina também. A solidão não vem pela ausência, vem do silêncio. Vem de passos que não te alcançam, de braços que não te abraçam, de beijos que não beijam, de colos que não acolhem.
"É a sina das mulheres fortes", as bruxas me dizem quando reclamo, "não existem príncipes aos quais recorrer, nem deuses aos quais rezar. As mulheres fortes sobrevivem e brindam à própria sorte. Não passam fome. Bebem muito. Recitam poesia. Tomam suas pílulas. Se deixam cair no abismo. Dançam na fogueira. Elas vivem como um Atlas, condenadas a carregar o peso dos céus sem descanso, porque para elas, no final do dia, nada pesa demais. As mulheres fortes deixam os fracos descansando, desligados, vivendo em paz no seu próprio sofrimento, porque sabem que, se fraquejarem, o céu desmorona."
Eu aceito a sina das bruxas sem reclamar. Respiro fundo, velo pelo sono dos que dormem. Ergo a postura, sustento o céu e danço com as estrelas. Somos fortes o suficiente para carregar o céu, o inferno, a horda de Lúcifer e seus anjos. Em contraponto, ninguém é forte o suficiente para nos carregar.
"A descida", as bruxas diziam, "precisa ser solitária". Sem braços para me alcançar, sem beijos para me beijar ou colo para o qual voltar. A vida precisava ser solitária. Porque essa era a sina. Assim estava escrito.
Nos dias em que os pensamentos silenciavam, eu gostava de correr. Cursos para fazer, músicas para ouvir, sonhos para sonhar. Eu desfrutava de tudo como uma louca-poeta-viciada. O medo de não dar tempo, o medo de não poder, o medo de sumir. E nunca ninguém compreendeu a pressa. Essa era uma parte da sina também. A solidão não vem pela ausência, vem do silêncio. Vem de passos que não te alcançam, de braços que não te abraçam, de beijos que não beijam, de colos que não acolhem.
"É a sina das mulheres fortes", as bruxas me dizem quando reclamo, "não existem príncipes aos quais recorrer, nem deuses aos quais rezar. As mulheres fortes sobrevivem e brindam à própria sorte. Não passam fome. Bebem muito. Recitam poesia. Tomam suas pílulas. Se deixam cair no abismo. Dançam na fogueira. Elas vivem como um Atlas, condenadas a carregar o peso dos céus sem descanso, porque para elas, no final do dia, nada pesa demais. As mulheres fortes deixam os fracos descansando, desligados, vivendo em paz no seu próprio sofrimento, porque sabem que, se fraquejarem, o céu desmorona."
Eu aceito a sina das bruxas sem reclamar. Respiro fundo, velo pelo sono dos que dormem. Ergo a postura, sustento o céu e danço com as estrelas. Somos fortes o suficiente para carregar o céu, o inferno, a horda de Lúcifer e seus anjos. Em contraponto, ninguém é forte o suficiente para nos carregar.

Comentários
Postar um comentário